
Abriu seus pequeninos olhos, os raios de luz pareciam querer arrancar-lhes a qualquer custo.Firmou sua vontade, rasgou os primeiros fios de seu casulo,ou ovo,não importa,apenas conseguia rastejar ,rastejar e sentir fome,uma fome que nunca achou que teria antes, era apenas instinto no começo e começou até que bem,cheia de folhas verdinhas em sua volta!
Devorava tudo que havia a sua frente,logo estaria muito pesada até para rastejar-se,nem se dava conta disso apenas comia!
Até que sentiu a necessidade de abrigar-se ser maior que a de satisfazer seu pequenino aparelho digestivo.Começou de sua boca construir sua morada,morada que abrigaria seus longos dias daí para frente, entrou em sua nova casa, que estava longe de ser grande,mas cabia e aquecia seu corpo, no momento era tudo o que precisava,abrigo,aconchego,proteção,dela para ela mesma!
Ficou ali e novamente abriu seus pequeninos olhos, os raios de luz pareciam querer arrancar- lhes a qualquer custo.Firmou sua vontade, rasgou os primeiros fios de seu casulo,agora a sensação era bem outra,não precisaria nunca mais arrastar, suas necessidades jamais seriam as mesmas, sua missão agora era bem mais nobre e bem mais clara, sairia para sempre daquela casa,aquele velho corpo não a pertencia mais,agora era uma nova criatura da criação maior.Pela primeira vez sentiu que seu corpo era leve, que teria novas possibilidades com ele e tentou pela primeira vez erguer suas asas e voar.
Sentira em toda profundidade que passara a vida toda fazendo isso,porém essa era somente a primeira vez.
Novos pontos de vista sobre a mesma coisa.Viu todo o estrago causado pelo seu sistema digestivo num passado não muito distante, viu que mesmo que tivesse sido instinto feriu aquele que a alimentara.Mesmo sendo o ciclo natural das coisas ,sabia que podia fazer melhor que o que fizera antes.
Passou um tempo refletindo sobre uma folha que passeava no lago, olhou as flores e chegou mais perto e sem perceber,mais uma vez por instinto fez o bem!Agora o instinto não mais destruía,ele multiplicava vidas,assim sem que ela percebesse.Passou a visitar suas amigas flores e viu que quanto mais as visitava,mais delas nasciam,embora não entendesse,elas nasciam.
Voando livremente, suas asas não mais a pertenciam,mas sim ao ar que a envolvia, a brisa fresca que a assegurava que ali era seu lugar no mundo!
Continua...
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