terça-feira, outubro 09, 2007

Borboleteando...



Abriu seus pequeninos olhos, os raios de luz pareciam querer arrancar-lhes a qualquer custo.Firmou sua vontade, rasgou os primeiros fios de seu casulo,ou ovo,não importa,apenas conseguia rastejar ,rastejar e sentir fome,uma fome que nunca achou que teria antes, era apenas instinto no começo e começou até que bem,cheia de folhas verdinhas em sua volta!


Devorava tudo que havia a sua frente,logo estaria muito pesada até para rastejar-se,nem se dava conta disso apenas comia!


Até que sentiu a necessidade de abrigar-se ser maior que a de satisfazer seu pequenino aparelho digestivo.Começou de sua boca construir sua morada,morada que abrigaria seus longos dias daí para frente, entrou em sua nova casa, que estava longe de ser grande,mas cabia e aquecia seu corpo, no momento era tudo o que precisava,abrigo,aconchego,proteção,dela para ela mesma!


Ficou ali e novamente abriu seus pequeninos olhos, os raios de luz pareciam querer arrancar- lhes a qualquer custo.Firmou sua vontade, rasgou os primeiros fios de seu casulo,agora a sensação era bem outra,não precisaria nunca mais arrastar, suas necessidades jamais seriam as mesmas, sua missão agora era bem mais nobre e bem mais clara, sairia para sempre daquela casa,aquele velho corpo não a pertencia mais,agora era uma nova criatura da criação maior.Pela primeira vez sentiu que seu corpo era leve, que teria novas possibilidades com ele e tentou pela primeira vez erguer suas asas e voar.


Sentira em toda profundidade que passara a vida toda fazendo isso,porém essa era somente a primeira vez.


Novos pontos de vista sobre a mesma coisa.Viu todo o estrago causado pelo seu sistema digestivo num passado não muito distante, viu que mesmo que tivesse sido instinto feriu aquele que a alimentara.Mesmo sendo o ciclo natural das coisas ,sabia que podia fazer melhor que o que fizera antes.


Passou um tempo refletindo sobre uma folha que passeava no lago, olhou as flores e chegou mais perto e sem perceber,mais uma vez por instinto fez o bem!Agora o instinto não mais destruía,ele multiplicava vidas,assim sem que ela percebesse.Passou a visitar suas amigas flores e viu que quanto mais as visitava,mais delas nasciam,embora não entendesse,elas nasciam.


Voando livremente, suas asas não mais a pertenciam,mas sim ao ar que a envolvia, a brisa fresca que a assegurava que ali era seu lugar no mundo!


Continua...

quarta-feira, outubro 03, 2007

Ela , a luz e a pedra


Acordou com os primeiros raios da manhã , esfregou seus olhos, não queria acordar daquele sonho bom, afinal agora tudo estava apenas nos seus sonhos.Levantou devagar, pensou em olhar no pequeno espelho, mas sabia qual imagem refletiria ali.


Não quis comer naquela manhã ,sentia que as necessidades do corpo não eram mais as mais importantes, sua alma clamava por algo que iria além.Vestiu-se e foi caminhar pelo meio da floresta, queria buscar algo que ao menos sabia o que era, ficou vagando por um tempo seguindo o canto dos pássaros, sabia que neste momento somente a Mãe ira entendê-la.


Mal ela sabia que aquela manhã as coisas mudariam para sempre!


Avistou uma borboleta, ela era muito pequena, porém de uma cor e uma luz que jamais vira anteriormente, ela pousou sobre seu ombro,como quem cumprimenta um velho amigo, logo em seguida se pôs a voar em sua frente, foi quando teve a incrível sensação de completude e que jamais estaria sozinha em seu caminho novamente.


Andou por horas atrás da pequena criatura brilhante, seu brilho afastava os perigos da floresta, não que ela os temia,mas os respeitava ,assim como a todos os seres que ali habitavam.Quando deu-se por si lá estava ela, em cima da pedra mais alta, avistando todo o vale, olhando sobre um ponto de vista que jamais experimentara antes, olhava de cima e todos os problemas pareciam pequenos, todas as angustias não a afetavam mais , olhou para cima e se deu conta que conseguia sentir a Grande Mãe, quanto mais A sentia mais sentia-se completa e seu corpo vibrava na mesma intensidade Dela.


Colocou suas mãos em posição de recebimento , postou-as esticadas e a borboleta pousou sobre elas.Sua pequena amiga agora adquiria nova forma, ela era esférica, uma esfera que tinha toda a luz do mundo, cintilava energias nunca antes vistas, a mesma luz que irradiava da Grande Mãe.


Ficou hipnotizada com a beleza da cena, olhando e observando os detalhes,agora ela tinha os segredos do mundo em suas mãos, uma nova sensação invadiu sua alma, o receio de ter tamanho presente em seu poder lhe deu a noção exata da responsabilidade que tinha neste mundo.Agora não a pertencia mais somente a sua vida, se deu conta que o mundo não era mais somente seus sentimentos e sim os sentimentos do mundo eram seus. Uma lágrima escorreu de seus olhos , não de alegria, não de dor, não de receio,mas de plenitude,por perceber quem era e para que existia.


Fechou seus olhos, mesmo em contato com toda aquela magia de cores e luzes diante deles e ficou apenas sentindo a brisa leve soprando seus cabelos, o cheiro das folhas orvalhadas invadia seus poros,mas ainda sim a sensação mais forte era a da brisa.Abriu os olhos e ficou ali, olhando da pedra mais alta,ela apenas desejava voar com o vento, aquele vento que faz quando o sentia por perto ...