Por muito tempo olhou aquela porta. Cada vez que um barulho novo ecoava pela casa seu coração disparava, mas ela não fez nada, apenas esperou, como havia se proposto a fazer.
De repente barulhos de passos, eles iam aumentando em intensidade e freqüência, logo ficou mais perto de sua porta, alias muito perto e parou.
Ouvia sua respiração do outro lado da porta, mas não podia abrir, isso tinha que ser um ato que só ele poderia ter e mesmo seu coração tendo disparado, mesmo suas mãos estando suadas e seu corpo todo tremesse, ela ficou ali, estática olhando para a porta e para a maçaneta, que aumentava e diminuía de tamanho, tudo não passou de frações de segundos, mas pareceu uma eternidade.
Um gesto, a maçaneta desce, a luz entra por debaixo da porta semi-aberta, ela estarrecida e ainda estática, não conseguia sair daquela posição que ficara por tanto tempo, ele com os olhos baixos e voz embargada,mal conseguia se expressar.
Ele levanta seu olhar e a olha nos olhos, ela vê que ainda há uma esperança,mas aquela luz que antes estava ali agora dá lugar a um vago vazio e isso não dava o conforto em seu coração que ela esperava,mas já dava um alento que invadia seu ser. Ficaram assim um tempo se contemplando em suas dores e angústias, duas coisas que só o tempo poderia apagar e dar lugar a coisas novas e diferentes , talvez ainda não vividas pelos dois.
Neste dia ela não sentiu vontade de voar, cantar, dançar ou amar, apenas sentiu vontade de sentir que ainda havia sangue em suas veias e que seu coração ainda estivesse pulsando em seu peito.

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