quarta-feira, outubro 03, 2007

Ela , a luz e a pedra


Acordou com os primeiros raios da manhã , esfregou seus olhos, não queria acordar daquele sonho bom, afinal agora tudo estava apenas nos seus sonhos.Levantou devagar, pensou em olhar no pequeno espelho, mas sabia qual imagem refletiria ali.


Não quis comer naquela manhã ,sentia que as necessidades do corpo não eram mais as mais importantes, sua alma clamava por algo que iria além.Vestiu-se e foi caminhar pelo meio da floresta, queria buscar algo que ao menos sabia o que era, ficou vagando por um tempo seguindo o canto dos pássaros, sabia que neste momento somente a Mãe ira entendê-la.


Mal ela sabia que aquela manhã as coisas mudariam para sempre!


Avistou uma borboleta, ela era muito pequena, porém de uma cor e uma luz que jamais vira anteriormente, ela pousou sobre seu ombro,como quem cumprimenta um velho amigo, logo em seguida se pôs a voar em sua frente, foi quando teve a incrível sensação de completude e que jamais estaria sozinha em seu caminho novamente.


Andou por horas atrás da pequena criatura brilhante, seu brilho afastava os perigos da floresta, não que ela os temia,mas os respeitava ,assim como a todos os seres que ali habitavam.Quando deu-se por si lá estava ela, em cima da pedra mais alta, avistando todo o vale, olhando sobre um ponto de vista que jamais experimentara antes, olhava de cima e todos os problemas pareciam pequenos, todas as angustias não a afetavam mais , olhou para cima e se deu conta que conseguia sentir a Grande Mãe, quanto mais A sentia mais sentia-se completa e seu corpo vibrava na mesma intensidade Dela.


Colocou suas mãos em posição de recebimento , postou-as esticadas e a borboleta pousou sobre elas.Sua pequena amiga agora adquiria nova forma, ela era esférica, uma esfera que tinha toda a luz do mundo, cintilava energias nunca antes vistas, a mesma luz que irradiava da Grande Mãe.


Ficou hipnotizada com a beleza da cena, olhando e observando os detalhes,agora ela tinha os segredos do mundo em suas mãos, uma nova sensação invadiu sua alma, o receio de ter tamanho presente em seu poder lhe deu a noção exata da responsabilidade que tinha neste mundo.Agora não a pertencia mais somente a sua vida, se deu conta que o mundo não era mais somente seus sentimentos e sim os sentimentos do mundo eram seus. Uma lágrima escorreu de seus olhos , não de alegria, não de dor, não de receio,mas de plenitude,por perceber quem era e para que existia.


Fechou seus olhos, mesmo em contato com toda aquela magia de cores e luzes diante deles e ficou apenas sentindo a brisa leve soprando seus cabelos, o cheiro das folhas orvalhadas invadia seus poros,mas ainda sim a sensação mais forte era a da brisa.Abriu os olhos e ficou ali, olhando da pedra mais alta,ela apenas desejava voar com o vento, aquele vento que faz quando o sentia por perto ...

2 comentários:

Unknown disse...

E quem precisa procurar Pandora quando se descobre que o mundo não tem tantas perguntas como se imaginava?
Quem necessita das respostas quando consegue construir o mundo apenas sentindo?

Lindo o texto! Emocionei-me!

Helio
http://letrero.zip.net

Anônimo disse...

Seja bem vinda, filha do vento, a tempos te esperavamos, para podermos enfim continuar a linda jornada das 7 filhas do tempo. É hora de redescobrir o desconhecido e desconhecer o conhecido. Bjs e muita cautela.
Kirk